Esqueçamos os aportuguesamentos: hoje em dia, é perfeitamente possível registar um bebé português com um nome que, muito possivelmente, nos remeterá de imediato para o universo anglo-saxónico, com tudo de bom [nome internacional] e tudo de menos positivo [soletração, pronúncia errada] que isso acarreta. Hoje elenco alguns dos mais contemporâneos que estão presentes na lista do IRN:
Brian & Bryan são de introdução recente em Portugal [Brian foi aprovado em 2012 e Bryan em 2016] mas são nomes com que estamos familiarizados. Bryan Adams, por exemplo, tem uma legião de fãs em Portugal que já atravessa gerações. Brian May, dos Queen idem. E Bryan Cranston, de Breaking Bad. Quanto a Dilan, ontem escrevi que era nome de músico de excelência mas agora posso acrescentar que é nome de cantautor galardoado com o Prémio Nobel da Literatura!
Sei que não é inteiramente justo intitular estes dois nomes bíblios de estrangeiros, mas muito sinceramente, se vir estes nomes escritos numa folha, vou pronunciá-los "à inglesa", porque não têm tradição nenhuma em Portugal, por mais que os possamos ter ouvido aos domingos, na igreja.
O sucesso do Cristiano Ronaldo não se estendeu ao nome, que tem vindo a perder popularidade desde os anos 1990 mas Christian tem a vantagem de parecer mais leve e cool. Ambos são bíblicos, com um significado marcadamente religioso [Christian significa cristão e Jonathan significa dádiva de Deus]. Estão às portas do top 50 nos EUA, num período de perda de popularidade que, no caso de Jonathan, foi maior em 1980 e, no de Christian, no ano 2000. Compridos q.b., têm ainda como bónus os diminutivos Chris e Jon.
Damien está aqui com alguma boa vontade minha, porque esta variante é mais francesa do que anglo-saxónica, mas Damien aproxima-se tanto de Damian que mal se dá pela diferença. Já que
Damião não consegue cativar os portugueses, talvez Damien, que é mais delicado, o possa fazer. Quanto a Hayden, trata-se de um nome inglês cujo significado só consigo traduzir como "colina pagã" [
heathen-grown hill, em inglês]. Parece-me um nome super atual e juvenil, por associação à moda dos Jaydens, Braydens e Kaydens.
Aprovado em 2015,
Oliver é atualmente o nome mais popular na Inglaterra portanto não podia ser mais contemporâneo.
Eric esteve no top 100 português em 2009 e 2010; se em 2015 juntássemos os registos de Eric com os de Erik - que também é aprovado - seria o suficiente para chegar à 73.ª posição. Na minha opinião, se estiverem preocupados com inconvenientes relacionados com grafias e pronunciações, Eric e Oliver são das escolhas mais seguras, porque se adaptam muito bem à língua portuguesa!
Não precisa de grandes apresentações nem de incentivo ao uso.
Kevin já está na 57.º posição do ranking e só foi aprovado há um ano! E agora que podemos pôr de lado aqueles aportuguesamentos a que estávamos obrigados, o nome ganha outra vida!
James e Liam são muito populares lá fora mas Liam, versão irlandesa de William [ou será apenas o seu diminutivo?!] também está em alta em vários países europeus. Acho Liam muito interessante. Aliás, para ser sincera, acho-o o mais bonito destes todos! E se estivesse à procura de um nome internacional, fácil de dizer, este estaria na minha lista, de certeza!
Noah já integra o lote de cem nomes masculinos mais registados no país, mas Micah e Joshua são duas das "novidades" de 2016. Quem procura um nome contemporâneo e totalmente credível [o carimbo da Bíblia tem sempre relevo], pode ter aqui uma boa oportunidade. Temo, no entanto, que a pronunciação de Micah [deverá soar a Máica] possa ser um pequeno obstáculo.